MENINO DE OLHOS TRISTES...
Menino tão triste,
que pouco falas
e tudo calas
até a fome
que te consome...
Alguma vez sorriste?
Menino tão triste,
tens Pai e Mãe
ou nimguem?
Quando tens dor
recebes Amor,
ou ignoras que existe?
Menino de olhos tristes,
estarás só no mundo,
poço sem fundo,
que nada te dá,
que nada te dará...
e nem sabes que existes?!
Menino de olhos tristes,
Colo.Terás tido?
Carícias...Terás sentido?
Beijos.Alguem te deu,
ou sequer prometeu?
Mas eatás e resistes!...
Então,tenta crer que não estás sozinho.
Que alguem virá
e te ajudará
com genorisidade e até com carinho!
Helena Bandeira
BIOS A DOIS
E já que todos os caminhos vão
dar a ROMA,
inveRtamos a ordem das letras da
cidade antiga
e teremos AMOR.Tal ordem que
contra preconceitos
más vontades
ganha,perde,luta...e sonha
E nós, porque vem?venha e ajude
a fazer desta
arte uma poesia concreta,quem
sabe?
Um cadinho,um cantinho,um calor
acolhedor
e boa emoção.
No começo,seja pioneiro, por
brincadeira,
por bicicletas,peões e alegria
transformam-se
os meninos em homens certos
Porquanto poderá ser feliz?
será esta esquina que quina e
desentope?
Pode vir aqui e encontrar o
reconforto
da saudade do futuro em que
havia
desacreditado?
Seja um pingo doce,amargo,o
quer que seja
volte cá,venha ,venha,venha
Namore,Engrandeça o coração.
Era uma vez a cinderela à sua
espera
Era uma vez o principe à sua
espera
Escreva você um desenlace
continuo
NAMORADOS
Quem não tem namorado é alguém que
tirou ferias remuneradas de si mesmo.
Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é
muito raro.
Necessita de adivinhação, de pele,
saliva, lagrimas, nuvem, quindim, brasa
ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa,
envolvimento, até paixão é difícil,
mas namorado mesmo, é muito difícil.
Não precisa ser o mais bonito, mas ser
aquele a quem se quer
proteger e quando se chega perto dele
treme, sua frio e quase
desmaia pedindo proteção.
A proteção dele não precisa ser parrida,
decidida ou bandoleira:
Basta um olhar de compreensão ou
mesmo de afeição.
Quem não tem namorado não é quem
não tem um amor:
É quem não sabe o gosto de namorar.
Se você tem 3 pretendentes, 2
paqueras, 1 envolvimento e 2
amantes, mesmo assim pode não ter
nenhum namorado.
Não tem namorado quem não sabe o
gosto de chuva, de cinema depois
das duas, medo do pai, sanduíche de
padaria ou drible no trabalho.
Quem transa sem carinho, quem se
acaricia sem vontade de virar
sorvete de lagartixa e quem ama sem
alegria.
Namorar não é apenas quem faz pactos
com a infelicidade, é fazer
pactos com a felicidade ainda que
rápida, escondida, fugidia ou impossível
de durar.
Não tem namorado quem não sabe o
valor de mãos dadas, de carinho
escondido na hora em que passa o
filme, de flor cacada no muro e
entregue de repente, de poesia de
Fernando Pessoa, Vinícius, Chico
Buarque lida bem devagar, de
gargalhada quando fala junto ou
descobre meia rasgada, de ânsia de
viajar junto para a Escócia,
Europa, Oriente ou mesmo de metro,
bonde, nuvem, cavalo alado,
tapete magico ou foguete
interplanetário. Não tem namorado quem
não gosta de dormir agarrado, fazer
sesta abraçado, fazer compra
juntos, quem não gosta de falar do
próprio amor, nem ficar horas e
horas olhando o mistério do outro
dentro dos olhos dele, abobados
de alegria pela lucidez do amor.
Não tem namorado quem não descobre
a criança própria e a do amado
e sai com ela para parques, fliperamas,
beira d'água, show do
Milton Nascimento, bosques enluarados,
luas de manha ou musical da Metro.
Quem não tem musica secreta com ele,
quem não dedica livros, não
e corta artigos, quem não se chateia
com o fato de o seu bem se paquerado.
Quem ama sem gostar, quem gosta sem
curtir, quem curte sem aprofundar.
Quem nunca sentiu o gosto de ser
lembrado de repente no fim de
semana, na madrugada ou no meio-dia
do dia de sol em plena praia
cheia de rivais; quem ama sem se
dedicar, quem namora sem brincar,
quem vive cheio de obrigações, quem
faz sexo sem esperar o outro
ir junto com ele, quem confunde solidão
com ficar sozinho e em
paz; quem não fala sozinho, não ri de si
mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não
descobriu que o amor é alegre
e você vive pesando duzentos quilos de
grilos e de medos, ponha a
saia mais leve, aquela de chita, passeie
de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e
escove a alma com flores,
com leves fricções de esperança. De
alma escovada e coração
acelerado, saia do quintal de si mesmo
e descubra o próprio jardim.
Acorde com o gosto de caqui e sorria
lírios para quem passe
debaixo de sua janela. Ponha intenções
de quermesse em seus olhos
Beba licor de contos de fadas] Ande
como se o chão estivesse
repleto de sons de flauta e do céu
descesse uma névoa de
borboletas, cada qual trazendo uma
pérola falante a dizer frases
sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque
ainda não enlouqueceu aquele
pouquinho necessário para fazer a vida
parar e de repente parecer que faz
sentido.
Enlou-crescer
Amor - Pois Que É Palavra Essencial
Carlos Drummond de Andrade
Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o
guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma
expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos
astros?
Que força em nossos flancos nos
transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
nu úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos
deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um Deus acrescenta o amor
terrestre.